26 de Agosto de 2008
25 de Agosto de 2008
Atómstöðin III
Palavras-chave: Atómstöðin
Atómstöðin II
Palavras-chave: Atómstöðin
Atómstöðin I
Palavras-chave: Atómstöðin
77° 47′ 0″ N, 70° 46′ 0″ W
8 de Agosto de 2008
23 de Julho de 2008
15 de Julho de 2008
Drommar Ibland

[Voyager 1, 14/2/1990, 4 milhões de milhas]

[A imagem anterior, desta feita ampliada; o ponto esmaecido que se encontra na faixa castanha da direita é o planeta Terra - deverás clicar para ampliá-lo, Azul]

[A minha casa, vista da Cassini orbitando as orelhas moucas de Galileu, 15/9/2006]
Nem chega a um pixel
14 de Julho de 2008
Hey, that's no way to say goodbye.
I loved you in the morning, our kisses deep and warm,
your hair upon the pillow like a sleepy golden storm,
yes, many loved before us, I know that we are not new,
in city and in forest they smiled like me and you,
but now it's come to distances and both of us must try,
your eyes are soft with sorrow,Hey, that's no way to say goodbye.
Sábado, 19 de Julho, no Passeio Marítimo de Algés.
A propósito das madeixas que teimam em crescer em nuvens em agregados de matéria I
A propósito das madeixas que teimam em crescer em nuvens em agregados de matéria.
Não me recordo bem da amplitude dos gestos (os dedos enregelados bem fundo nos bolsos, um fundilho talvez roto ou com cotão) um cigarro preso nos lábios sem ter coragem de o acender. O espaço repartido por mais três ou quatro pessoas. Aquele espaço. Eu convidava a loucura que preenchia os interstícios do fibrado do espaço-tempo (ah! só um louco poderia afirmar isto) a transpor uma barreira quase invisível, uma cortina de água tépida, um convite ao entorpecimento. Chorava. Por mim. Pelas estrelas imóveis irremediavelmente pregadas a um céu demasiadamente azul. Pelas palavras que nunca cheguei a dizer. Chorava porque os meus lábios privados de sal, de afecto, de cor, insurgiam-se finalmente.
Não, não era o desejo do abismo que havia em mim. Os abismos não nos procuram, nem nós os queremos encontrar.
13 de Julho de 2008
Caixa de Ressonância V
A rapariga que acentuava os advérbios de modo certo dia perguntou-me como era capaz de escutar ópera em altos berros no carro. Mesmo assim eu gostava dela – sabia que esta secretamente se comovia com os prelúdios de Wagner.
(Elsa de Brabante: nunca poderás questionar ao filho de Parsifal a sua identidade)
Palavras-chave: Caixa de ressonância
Liçóes de Astrofísica V: "Everything is blue in the world" (até o Sol)

Imagem (provavelmente) da sonda SOHO.
Palavras-chave: Azul, Lições de Astrofísica
Caixa de ressonância III
Por vezes o gato que era eu espreitava essa rapariga a regar as sardinheiras nos vasos paralelepipédicos a desafiar a gravidade.
Palavras-chave: Caixa de ressonância
Caixa de ressonância II
Encontrava essa rapariga que acentuava os advérbios em muitos sonhos, em muitas bibliotecas e, por vezes, até no supermercado: ela escolhia algumas ervas aromáticas (e eu só podia supor que era para o chá) e eu ficava ali escondido, manso e intrigado em doses cuidadosamente proporcionais segundo a razão de ouro dos arquitectos gregos, uma espécie de gato negro prestes a usar todo o conhecimento das leis da natureza na sua impulsão pelas quatro patas e a cauda a gesticular como a batuta invisível de um maestro conduzindo o holandês do Der fliegende Holländer. Um gato melómano que não trocaria Wagner e meia garrafa de Stolichnaya por todo o Paládio do mundo.
Palavras-chave: Caixa de ressonância
Caixa de ressonância I
Era uma rapariga que acentuava os advérbios de modo. Deixava que estes saíssem pela boca e voltassem a entrar pelos ouvidos dos que a rodeavam, talvez na esperança que estes depois retornassem às suas narinas pois é certo que as palavras fazem vibrar as moléculas do ar quando não são apenas esta tinta mesquinha e têm voz. Esses advérbios de modo com a desusada acentuação que o caracterizavam eram abelhas que polinizavam flores e causavam-me cócegas, talvez localizadas nos lóbulos das orelhas, cócegas que se estendiam através das ramificações e eram amplificadas por uma estrutura que desconheço a sua origem, mas que devo talvez chamar-lhe de coração. Ou fígado. A rapariga que acentuava os advérbios de modo por vezes abusava dos estribilhos, mas também essas repetições me faziam titilar os lóbulos das orelhas, não me queixava das suas repetições, apenas dos seus advérbios de modo que por vezes me faziam espirrar.
Palavras-chave: Caixa de ressonância
13 de Junho de 2008
2. Apatia (antes)
Deu-lhe dois beijos rápidos, roçando a face de forma fugaz para que não sentisse o seu cheiro. Entrou emocionado porta adentro. Notou que esse riso lhe fazia falta, esse riso claro e gratuito, sem concessões. Porém, quando se recordava dela não evocava o seu riso, era outra coisa que surgia nos momentos mais improváveis, algo intangível, que não vem desenhado nos livros mas que poderíamos designar por “epifania", à falta de uma designação mais justa. Embora mais velho que ela, sentia-se sempre uma criança a seu lado. Resignou-se a sentar muito quieto numa ponta do sofá, não sem antes admirar a arrumação da sua sala. Verbalizou-o – não era conversa de circunstância: a sua casa apaziguava-o. Ela quedou-se pela outra ponta, também imóvel. Sabia que, afinal de contas, nenhum deles nutria alguma coisa pelo outro. Guardava-lhe um enorme carinho no coração, era o que ele costumava afirmar. Ela nunca o amou, dizia para consigo, e embora a tenha amado era apenas o seu embaixador que ali se encontrava e não ele próprio – apeteceu-lhe dizer: "Não, doravante não me irás tratar por Alexandre. Call me Ismael. Esse é o nome do carcereiro que me enclausura”. Talvez devesse ter falado da alteridade. Do outro que há em nós. Talvez de Camus. Porque não? Mas isso iria criar uma série de equívocos. Ele queria apenas fruir da sua companhia e não se alcandorar em referências óbvias ou permitir-lhe que o acusasse de viver num mundo lírico. Era verdade que ele tinha abandonado o mundo e agora construía as suas próprias regras. Somente fingir que se encontrava ali. Já não se interessava por muita coisa. Dizem que tinha perdido a fé. Prendeu a mão entre as almofadas. Talvez estivesse nervoso. Apetecia-lhe acender um dos charutos que tinha trazido. E soprar o fumo para as suas costas. fffffffffff como onomatopeia. E de seguida pousar os seus lábios. Nas costas. A pele. As coxas. Apetecia sorrir-lhe, como costumava sorrir para ela. Talvez a tivesse amado em demasia. Ou como imaginava ter sorrido para ela. Já tinha visto aquele filme. Agnés Jaoui e o careca de bigode de cujo nome não se recorda (Messieur Castela – com um ou dois l’s?). Talvez ela não se enternecesse por ele. Pelo filme, bem entendido. Creio que talvez já não a conhecesse bem. Continuava bonita. Era uma estranha para ele. Lábios pequeninos, orelhas pequeninas, quase tudo em ponto pequeno, numa delicada simetria liliputiana. Estava a ganhar um pouco de volume no seu traseiro. Uma vez fez-lhe um comentário sobre o seu corpo e ela não gostou. A história deles estava eivada de equívocos. Mesmo agora, se ela lesse essas palavras iria sentir-se magoada pelas referências em duas mensagens ao seu traseiro. Ele achava a emergência das suas rugas como algo de belo. Adorava as suas olheiras. Sempre gostou de mulheres com insónias. Que tornavam a noite presente, em suma, como Maurice Blanchot terá afirmado. Recordo-me bem que ele adorava as suas costas: era o seu violino de Ingrès. Creio que o terá dito algumas vezes, enquanto faziam amor. Bem sei que não abona nada à sua originalidade, mas ao pé dela tornava-se algo tímido e comedido nas palavras, revelando-se apenas de forma sexual. Gostava de lhe chamar de “princesa da Entropia”. É algo de rebuscado, não é? Creio que talvez acreditasse que toda a palavra seria redundante, quando a sua língua articulava elipses consumindo-se no seu sexo. Tinha pintado o cabelo: agora era morena. Pareceu-lhe amenizada pela noite. Não perguntou se era feliz. Tinha prometido a si mesmo nunca mais lhe questionar acerca disso. Havia estrelas. O triângulo de Verão. Vénus. A Ursula Andress (era como cogitava na Ursa-maior-rabo-de-frigideira). E a Cassiopeia, cadeira, éme ou dahbliú. Mentiu-lhe. Três vezes. Altair, Deneb e Vega. Em duas das ocasiões fingiu que acreditava nela. Era um jogo que a divertia. Na realidade não se incomodou. Era apenas um jogo, já disse? Fazia parte da sua faceta lúdica e pouco mais. Talvez tivesse gostado de ouvir mentiras a noite inteira. Reparou que estacionava o carro quase tão mal como ele. O certo é que ele tinha sempre imensos acidentes quando conduzia a seu lado. Esmurradelas, o pneu furado ao aproximar-se da berma do passeio, o carro atirado por um pequeno declive. Ao telefone a voz dela tinha um timbre nervoso. Era raro concordarem sobre vinhos. Como se fossem novamente estranhos. Creio que ela não o irá acompanhar à Ópera quando for a Paris assistir a Tristão e Isolda. Antes falou-lhe disso. Ela perguntou-lhe algo sobre matéria protocolar. Talvez tenham esgrimido argumentos sobre algumas coisas que não ficaram bem resolvidas. Recordou-se que a única vez que foram juntos ao cinema foi para ver Saraband ao Alvaláxia(!). Não era verdade pois tinham visto outro filme mais recentemente. Ela não tinha gostado. Do filme do Bergman. Ele tinha repousado a sua cabeça no seu colo enquanto ela afagava o seu cabelo. Num banco do centro comercial. Era feliz. Não necessitava de muito: andava com uma T-shirt coçada e uns sapatos quase rotos. Por vezes vestia-se impecavelmente. Ainda agora costuma afirmar que tem um gosto irrepreensível por camisas. Julgo ser verdade. Mas, ainda a propósito da indumentária, Silje costumava interrogá-lo como era possível alguém ter a desfaçatez de vestir três tons diferentes de castanho nas suas peças de roupa. Na altura usava rabo-de-cavalo. Durante três anos não cortou o seu cabelo. Não se percebe bem porquê. Até porque se considerava uma pessoa com algum low profile, sempre disposto a passar incógnito. Há quem diga que foi por preguiça. Outros terão outras teorias mais rebuscadas, eu não sei o que acreditar, não me interessa muito. Chegou a casa. Tinha-se despedido com dois beijos ainda mais fugidios. Durante a noite inteira não a desejou. Pela primeira vez na vida tinha-se protegido mais do que esperaria. Sentiu-se insensível. Não mais interessante do ponto de vista evolutivo que uma barata. Agora masturbava-se várias vezes. Para compensar a ausência da noite. Por fim escreveu-lhe uma carta. Os dedos orlados por uma carapaça esbranquiçada ditavam:
“Ao passar timidamente a ombreira da porta fui outra vez o teu amante, porque foi convocada à minha memória a imagem do teu corpo bem rente ao meu, as minhas mãos enlaçando-se nas tuas costas e o meu abraço muito muito forte com medo de te perder.”
Tinha sido uma noite de banalidades. Obrigava-se de há uns meses a esta parte a ser banal. Como se se comprazesse com isso. Fui me deitar e não fiquei a saber como termina a carta. Sei apenas que não chegará a enviá-la.
1. Após
E no entanto, ao regressar a casa com os olhos agredidos pelos faróis, galgou rapidamente os lanços das escadas que o separavam do quarto para remeter-se à volúpia enleante dos lençóis sem sequer preocupar-se a ler parte das páginas designadas até que o sono sobreviesse, não podendo evitar que o seu sexo crescesse entre os dedos, numa erecção imódica e iracunda que a noite até então tinha contido. Enquanto o dia clareava, ácido e inflamado, dedicou aqueles minutos de vigília a masturbar-se várias vezes, certamente forçado pela imanência da electricidade daquela mulher a disparar estímulos vertiginosos e furiosos em tudo quanto era axónio. Primeiro, foram os seus mamilos eriçados coroando aqueles gratos seios que o fizeram jorrar, deixando escorrer indolentemente o sémen pela palma da mão, pelos dedos, imaginando que a viscosidade não o impediria de chegar às cutículas. Depois, discorriam no seu espírito as imagens daquelas ancas férteis onde os seus pulsos adoravam jazer após o embate que era entrar nesse corpo de alabastro e sentir a tessitura do seu sexo a suster-lhe a respiração como um lenço de veludo impregnado de um odor muito forte dentro da sua garganta, asfixiando-o, impelindo-o a penetrá-la de forma ainda mais intensa, como se a quisesse ferir de morte, puxando-a com denodo para si, cravando-lhe as mãos nos seus quadris, beliscando-lhe as nádegas, deixando-a trémula e abandonada até que o seu próprio corpo ficasse completamente repassado e coberto por um manto sudativo, o silêncio meditativo quando fazia amor interrompido apenas pelo som árduo da sua respiração e de quando em vez da resistência que os dentes encontravam ao morder-lhe a nuca, e finalmente não conseguiu suster aquele esgar que tão fielmente reproduzia o esgar contido quando este se vinha e que das primeiras vezes que estiveram juntos a deixara agradavelmente surpreendida. E, após mais uma breve pausa, a imaginar que a vestia – porque sempre lhe deu mais prazer vesti-la do que desnudá-la – meio entontecida, ainda febril e eléctrica, gotejando abundante entre as pernas, tentando invocar à memória aquele seu movimento rítmico das ancas quando lhe enfiava as calças justas, moldando-lhe as formas (não pôde deixar de pensar como o seu traseiro estava um pouco mais gordo e isso fez-lhe sorrir com ternura, cremos), qual dança que tivesse sido inventada apenas para proveito deles, teve ainda tempo para pensar que talvez ainda a adorasse em demasia. Fez então repetir os gestos de uma coreografia para a gastar, para que esta saísse da sua linfa, para que vertesse para os lençóis absurdamente alvos, para que secasse entre os interstícios dos dedos, como sucedia agora ao seu sémen, num acto de purga. Não sabemos se foi bem sucedido
26 de Maio de 2008
Depois não digam que não tive a decência de vos avisar
Hoje estarei de acordo (talvez)
"Reading maketh a full man; conference a ready man; and writing an exact man."
Palavras-chave: Tidsmakin
19 de Maio de 2008
O Sabor da Melancia

O Sabor da Melancia (Tian bian yi duo yun), é já daqui a pouco (21h30) no TAGV. O filme é de Ming-Liang Tsai e conta no seu elenco com Kang-sheng Lee, Shiang-chyi Chen e Yi-Ching Lu.
Palavras-chave: Imago Mundi
25 de Abril de 2008
22 de Abril de 2008
Um musaranho em Novosibirsk espirrou tendo causado a morte de Lorenz aos 90 anos









