29 de fevereiro de 2008
22 de fevereiro de 2008
53
A sequência dos primos de Eisenstein começa assim: 2, 5, 11, 17, 23, 29, 41, 47, 53, 59, 71, 83, 89, 101, 107, 113, 131, 137, 149, 167, 173, 179, 191, 197, 227, 233, 239, 251, 257, 263, 269, 281, 293, 311, 317, 347, 353, 359, 383, 389, 401, 419, 431, 443, 449, 461, 467, 479, 491, 503, 509, 521, 557, 563, 569, 587. E se te revelo isto não é por querer que saibas que habito no 53 de uma Avenida Nova de uma cidade qualquer, anónima, anódina, cuja porta tem bem gravada esse 53 que é um primo de Eisenstein mas também um enxame aberto na Cabeleira de Berenice no catálogo do Messier, esse fanático caçador de cometas. Não é para que saibas que te aguardo impaciente com o meu florilégio de livros prestes a arborescer ante uma palavra tua; uma palavra ferina e reverdecida. Não, é para que saibas que a minha presença ingramaticável surge de quando em quando por detrás da ombreira da porta, o rosto escondido por uma barba rala e bravia que fui deixando germinar, talvez - não o saberei dizer com a precisão que é por costume assistir-me - por me sentir um eterno selvagem abandonado na minha própria ilha de "A invenção de Morel" do Bioy Casares. E a minha presença, embora fugaz, cachimbo a desafiar a ponderabilidade dos objectos preso ao canto dos lábios melanóstomos, camisas azul cerúleo com as golas já bem puídas, casaco coçado e ainda a conservar todos os cheiros dos dias que passam sem passar todavia, botões de punho absurdamente desencontrados comigo mesmo e suspensórios porque eu sempre fui um homem desajustado, um homem démodé, um homem vilmente apaixonado. E também romãs e bagas azuis a esmagarem-se na minha boca como minúsculos leptocéfalos.
[Imagem: Charles Messier, 1781. Catalogue des Nébuleuses & des amas d'Étoiles. Connoissance des Temps para 1784 (publicado em 1781), pp. 246-247]
(Entrada inspirada pelo blogue 53: aqui)
31 de janeiro de 2008
"Entre nós e as palavras há metal fundente"
23 de janeiro de 2008
OK. Prometo. Amanhã irei falar de Anita Ekberg, Malcolm Lowry e da última vez em que estive com S. em Oslo. Irei reatar as pontas soltas. Parece que se diz assim. Irei reduzir a dimensão fragmentária do meu discurso e serei prolixo e lúcido (estranho binómio!) como nunca me viste. Que tal? Ler-me-ás amanhã, Azul Neblina? Irei também falar da ponte que une Malmö a Copenhaga e de gengibre. Muito gengibre. Não, algum gengibre. O suficiente. O olhar a conspirar doçura de V. e um livro sobre o tempo. Anjos em estrutura de filigrana. Aguardente de rosas, whisky, vodka barato em Lund, as escadarias por onde o maluco do Strindberg calcorreava a cavalo no seu corcel, a casa do mesmo onde se dedicava a maquinações alquimistas e onde se julgava acossado pelo mundo, o jardim botânico e a estrutura sensual das folhas. Outras perplexidades. Algumas coisas mundanas. Talvez vá ser aborrecido. Talvez nem seja amanhã porque agora ando entretido a reler Vergílio Ferreira ("Para sempre"), a ter-te nos meus braços, a ler Vila-Matas e a regressar à limpidez do meu Russell... E já te disse hoje que gosto mais de ti que Russell, Whitehead e Hilbert todos juntos? É que gosto mesmo, meu sinal marca de estrela.
19 de janeiro de 2008
17 de janeiro de 2008
13 de janeiro de 2008
9 de janeiro de 2008
6 de janeiro de 2008
det snør
39,7º de febre. "Se, Alexandre, det snør", afirmas tu com uma languidez inesperada - terna, direi. Como se a neve que respinga débil nos beirais do telhado tivesse um certo condão de redenção e não aspirasse mais a que fazer desprender essas palavras dos teus lábios. Passas as mãos pelos meus cabelos a perscrutar se já apareceram os primeiros cabelos brancos e sorris porque constatas que não. Eu devolvo um sorriso tímido enquanto beberrico esse sumo de laranjas sanguíneas tentando acreditar que será o choque de acidez e vitamina C que me irá fazer bem e debelar o estado febril em que me encontras. 397 é um número bonito, penso. Pelo menos é um número primo e isso faz-me sorrir novamente; é também um primo pitagórico e um primo aditivo (3+7+9=19 que por sua vez também é primo). Sei apenas que estou algo confuso porque o que queria mesmo era escrever sobre Lowry e não o farei. O grande beberrão terá de aguardar por amanhã.(de lá chegam-me notícias que morreu o Luiz Pacheco - estamos cada vez mais sós, não estamos? E mais tristes?)
Agora preciso de me despir com gestos cuidados e, febril, dormir, dormir, dormir e cobrir-me com todos os cobertores que encontrar, cobrir-me apenas com o teu corpo e sussurrar-te: "És de uma doçura incandescendente". Sibilando, sibilando. E encostando a minha cabeça no teu peito adormecer assim. Ciciando, ciciando. Com a mansidão da neve a querer atapetar o meu sorriso.
10 de dezembro de 2007
4 de dezembro de 2007
Toujours. Chaque jour. Rouge. (a Indecidibilidade em se ser humano II)
«L’amant»
Marguerite Duras
Venho copiar este excerto do blogue da Ângela. É certo que este parágrafo não me impressionou da primeira vez que li o livro. É certo que não me recordo quando o foi. É certo que poderei estar a mentir com todos os dentes amarelos que me sobram na boca escancarada. É certo que o uso da madre-pérola daria um efeito mais poético, mas amarelo é amarelo afinal de contas, caramba. É certo que o valor da prova tem muito que se lhe diga. É certo que Gödel andava a roubar laranjas nos últimos tempos da sua vida. É certo que, mais novo e menos sapiente em Lógica Formal, também eu e S. fomos roubar maçãs (seriam laranjas?) a um pomar perto de Oslo (ela disse-me que era uma tradição da sua infância e não tive coragem de recusar tal convite). É certo que não creio ir relê-lo (refiro-me ao livro, não ao aviso que em noruguês - e que portanto não me dizia respeito - invectivava contra os assaltantes de fruta ainda verde e rija). É certo que podia ter sido para mim que a Duras escreveu. É certo que nunca vivi no seu sotão alugado, como um certo Vila-Matas. É certo e sabido que o seu "A assassina ilustrada" não faz jus à sua obra. É certo que é bem possível teres proferido a mesma coisa sobre mim, palavras bem delineadas contra os suspiros resmoneantes do ar. É certo que o mais próximo que tive de ser comparado a um protagonista de um romance foi quando alguém disse que lhe fazia recordar o coiso (não me lembro do seu nome; coiso é assim uma coisa adequada para nominar alguém) do "Os Jardins do Éden" (Hemingway). É certo que os beijos com essa mulher eram intensíssimos. E não só, é certo.
Contas feitas, prova-dos-nove-e-tudo-o-que-mais-é-devido, é certo que gosto da tua candura de astro. É certo que poderia mentir a este respeito. Já não é tão certo saber porque o faria.
(Vai haver uma imagem para aqui. Será do Tony Leung em 2046. Porquê? É certo que não saberás a resposta. Certo que sim. Talvez.)
A Amnistia Internacional Portugal vai realizar no dia 6 de Dezembro, no Centro Europeu Jean Monnet, a Conferência Internacional "Direitos Humanos e Desenvolvimento - Uma estratégia para África". Entrada livre.
Para mais informações e confirmação contactar Amnistia Internacional
Av. Infante Santo, 42, 2º 1350-179 Lisboa • Tel.: +351 21 3861652 • Fax: +351 21 3861782
www.amnistia-internacional.pt • aueportugal@amnistia-internacional.pt
A indecibilidade em se ser humano I
oh god it's wonderful
indecidível.
3 de novembro de 2007
Canela, Açafrão e Cardamomo
Começava assim:
29 de outubro de 2007
Trikk Blaa
Da Majorstuen até Kjelsås são precisamente 38 minutos de viagem no eléctrico número 11.
12 de setembro de 2007
Fazer Barulho Por Darfur
A pedido da Amnistia Internacional segue aqui um pedido de divulgação de uma concentração no domingo (16 de Setembro) no Largo do Camões em Lisboa. Para que não se elida da memória a situação dramática de Darfur.
11 de setembro de 2007
A propósito de um encontro fortuito com um livro na FNAC

Someday beneath some hard
Capricious star—
Spreading its light a little
Over far,
We'll know you for the woman
That you are.
For though one took you, hurled you
Out of space,
With your legs half strangled
In your lace,
You'd lip the world to madness
On your face.
We’d see your body in the grass
With cool pale eyes.
We'd strain to touch those lang'rous
Length of thighs,
And hear your short sharp modern
Babylonic cries.
It wouldn't go. We’d feel you
Coil in fear
Leaning across the fertile
Fields to leer
As you urged some bitter secret
Through the ear.
We see your arms grow humid
In the heat;
We see your damp chemise lie
Pulsing in the beat
Of the over-hearts left oozing
At your feet.
See you sagging down with bulging
Hair to sip,
The dappled damp from some vague
Under lip,
Your soft saliva, loosed
With orgy, drip.
Once we'd not have called this
Woman you—
When leaning above your mothers
Spleen you drew
Your mouth across her breast as
Trick musicians do.
Plunging grandly out to fall
Upon your face.
Naked—female—baby
In grimace,
With your belly bulging stately
Into space.
Djuna Barnes, "From Fifth Avenue Up" in "The Book of Repulsive Women"
8 de setembro de 2007
17 de agosto de 2007
Folding/No Folding I
O céu e a Terra esatam misturados como um ovo, e Pan Gu nasceu dessa mistura. Após 18 000 anos, o céu e a Terra separaram-se. O transparente Yang tornou-se o céu e o escuro Yin tornou-se a Terra, enquanto Pan Gu ficou no meio, sofrendo nove transformações por dia. O espírito está no céu, o sábio na Terra. Todos os dias o céu cresceu um zhang e a Terra afundou-se um zhang. Nesses 18 000 anos o céu tornou-se extraordinariamente alto, a Terra extraordinariamente baixa e Pan Gu muitíssimo alto. Assim, o céu está a 90 000 li da Terra.
Palavras-chave: Folding/No Folding
7 de agosto de 2007
À Miss J.
é a simplicidade de um solo
que não possuo.
O que eu espero é um improvável elemento
que aglutine os despojos do silêncio
e lhes dê um rosto
maravilhosamente tranquilo.
António Ramos Rosa
2 de agosto de 2007
Epiciclos (assim a jeitos ptolomaicos)
Faz exactamente dois anos que lhe escrevia as seguintes palavras que em baixo transcrevo. Em bom rigor te digo que se esboroaram. Mas não posso deixar de pensar que estes epiciclos são bem curiosos; como se houvesse uma espécie de eterno retorno à espreita, assim a roçar numa vileza das leis da Física (if you get what I mean) em que se tornasse necessário resguardar-mo-nos dos ardis que o destino teima em montar. Mas, como sempre gostei de "cair verticalmente no vício", eis que de novo me encontrei a repetir-lhe as mesmas palavras enquanto ela me canibalizava - com o seu habitual desvelo - o sexo. Em vão a quis fazer banhá-la em felicidade. Mas foi apenas sexo folha ardente, um motel lá para as bandas de Valadares e uma garrafa de vinho que assim como assim ainda deixou uns lábios melanóstomos: suave consolo como uma noite pintalgada de estrelas. Ela tinha razão quando me fazia juramentar: "What Happens in Vegas, stays in Vegas". Afinal era só o título de um episódio de uma série bacoca. E ela uma enorme ficção.
0. Intenção e Metamorfose
Porque aqui enumero todas as palavras que não te disse.
E todas as palavras que nunca te direi.
E todas as palavras que eu desenhei nos teus lençóis e que apagaste com as pontas alvas dos teus dedos.
E todas as palavras esborratadas e diluídas pelo sal das minhas lágrimas.
E todas as palavras do mundo que ainda estão à espera de serem sonhadas ou enumeradas.
E todas as palavras que esgotam a demoníaca geometria combinatória dos dias.
E todas as palavras que sonham com elas próprias antes mesmo de alguém tê-las congeminado e que, por isso, violam a causalidade das coisas.
E todas as palavras que forram as paredes do meu ermitério.
E mesmo todas as palavras de que escarneceste quando te disse que te amava: tantas palavras puras cuja arquitectura não quiseste compreender.
Todas as palavras que se afunilaram nas minhas mãos quando te cobria o rosto com estas e abençoava os teus lábios no silêncio ocioso da noite.
Soletro com um feixe de luz estas mesmas palavras que a minha voz soube elidir até agora. Até esgotar todas as células do meu corpo neste processo. Serei então apenas uma presença de palavras bem cinzeladas na tela morta do monitor. Mas serei todas as palavras que sonhei ciciar-te um dia ao teu ouvido.
29 de julho de 2007
Em jeito de piscar de olhos a Miss Rebeca

(Rebecca é um nome delicioso porque parece que enrola a língua numa espécie de sensualidade obnubilar; mas que não surjam equívocos: trata-se de uma escritora medíocre)
Palavras-chave: Literatura
28 de julho de 2007
Paciência (com clara violação gamatical)
23 de julho de 2007
Azul Estrangeiro I
A Palmira comprou um par de jeans (ler o resto aqui):
"Ontem comprei um par de jeans, tingido com o indigo que desde os primórdios da História enche de azul o nosso quotidiano, e as calças Fornarina que escolhi lembraram-me outro azul da Antiguidade, mais concretamente as cores púrpura."
Palavras-chave: Azul Estrangeiro
22 de julho de 2007
On lit Breton
Dodecaedro snub
Advertência ao incauto: ainda não me foi possível descobrir a ordem plausível do seguinte conjunto de (dez) frases. Há 3.628.800 (permutações de dez elementos, quécomoquemdiz dez factorial) possibilidades e não tenho tempo de verificá-las todas. As frases foram escritas pelo Alexandre em pequenos pedacinhos de papel. A brisa estival que soprava provinda de uma geografia longínqua e nefasta, pese embora cálida como um abraço fraterno, morna como um sorriso distraído, encarregou-se da Ars Combinatoria. Resta ao leitor perdoar-me a acrimónia e meter mãos à obra que já se faz tarde.

Quando estás nos meus braços e te enovelas como um bicho-de-contas, em frágil abandono te sei reencontrada em mim, e é aí que o teu corpo me pede para ciciar-te ao ouvido: "És o meu animal favorito e adoro foder-te".
Tu devolves-me: "oh, o mundo, para mim, é um dodecaedro snub".
Disse-o e repeti-o até que as palavras ficaram exangues e polidas como os seixos que a criança trazia depois dos seus passeios na praia.
Do outro lado do mundo há quem não o creia.
O mundo afinal não é esférico para alguns: é um romboedro de pontas aguçadas.
Eis a crueza das palavras a conjugar-se com a forma desajeitada como sucumbes aos meus avanços.
(contudo agora receio que a tua voz seja pálida e que nem mesmo um escrutínio mais atento conseguirá descobrir uma réstia de beleza)
Exige-se a fé nestes momentos.
E com isto ficámos conversados.
Sabes, é que eu disse estrela em vez de saibro.
Palavras-chave: Matemática
18 de julho de 2007
Kall/Varm
I met her in a snowstorm(Jens Lekman, The Cold Swedish Winter)
I was outdoors plowing
She just walked up to me and said
'Hey boy, how's it going?'
I admired her straight-forwardness
and brushed away my fringe
as a signal of well-being
and accepting her challenge
We went home to her place
and cooked up some chili
Warmed us from the inside
'cause the outside was chilly
We had to be quiet
to not wake up her family
but I made a high pitched sound
when her cold fingers touched me
She said "shhh
please be quiet
I know you don't want to
but please deny it"
She said "shhh
please be quiet
I know you don't want to
but please deny it"
When people think of Sweden
I think they have the wrong idea
like Cliff Richards who thought it was just
porn and gonorrhea
And Lou Reed said in the film
"Blue in the face"
that compared to New York City
Sweden was a scary place
They seem to have a point
after meeting with this girl
maybe not Cliff Richards
but Lou has surely met her
The doubt in her eyes
when I said I wanted to kiss her
for the sake of liking her
and not because of the blizzard
She said "shhh
please be quiet
I know you don't want to
but please deny it"
She said "shhh
please be quiet
I know you don't want me
but please deny it"
'Cause the cold Swedish winter
is right outside
and I just want somebody
to hold me through the night
The cold Swedish winter
is right outside
and I just want somebody
to hold me through the night
In two thousand years
this place will be covered by ice
and the people who will dig us up
will be in for a big surprise
After carefully studying
our calcium-nourished bones
they'll find enclosed
our hearts of stone
Singing the cold Swedish winter
is right outside
and I just want somebody
to hold me through the night
The cold Swedish winter
is right outside
and I just want somebody
to hold me through the night
Na foto: Frida Hyvönen
15 de julho de 2007
Que mil sóis surjam

Tu és a bomba e eu sou o detonador. Em dias de estio, férteis, e com bagas maduras a rebentarem-se nos lábios, é assim que te quero: deitada no leito para te sentir trémula sob o meu corpo quando entrar dentro de ti e, istmo de língua irremediavelmente presa à curva do teu pescoço, revisitar a palavra
Na foto: esquema básico de uma bomba de fusão nuclear segundo o mecanismo de Teller-Ulam.
13 de julho de 2007
José María Eguren, in Obra Poética - Motivos
Palavras-chave: Azul
12 de julho de 2007
Porque o teu caderninho moleskine é Azul
E se eu te disser que os teus textos e os teus desenhos convidam-me a uma certa fragilidade e abandono, o que dirias em troca?
11 de julho de 2007
Smoking/No Smoking
Ei-la: a minha modesta contribuição para a discussão no espaço dos blogues (sim, prefiro esta terminologia ao insípido termo blogosfera) sobre a proposta de lei de regulamentação do acto de fumar em espaços públicos, nomeadamente em cafés e restaurantes:

Na foto: Montecristo nº3, "O deserto dos tártaros" de Dino Buzzati (que, aliás, te recomendei vivamente mas suspeito que tenhas feito tábua rasa da minha sugestão), café curto com um pacotinho inteiro de açúcar lá afogado, bloco-de-notas Moleskine e estojo com uma caneta Waterman lacada a preto (as cargas são Waterman Azul Florida), porta-minas Ballograf (0.7) e caneta vermelha para transparências Faber-Castell. A mão e a foto são do Alexandre. O título desta nota provém, está claro, de um filme de Alain Resnais.
Assimetria
Enumero: mamilo esquerdo e elipses descontraídas que não são círculos. Concluo nunca ter compreendido esta quebra de simetria quando enceto a manobra de aproximação ao teu corpo.
10 de julho de 2007
Antes de Adormecer IX (a impossibilidade de se ser humano)
Bem sei que não aprecias Bukowski. Eu também sempre irei sustentar a afirmação em como não partilho desse teu febril entusiasmo com os impressionistas. Eu gosto da desmesura. Ah, a impossibilidade de se ser demasiadamente humano, meu Azul Neblina!
Van Gogh writing his brother for paints
Hemingway testing his shotgun
Celine going broke as a doctor of medicine
the impossibility of being human
Villon expelled from Paris for being a thief
Faulkner drunk in the gutters of his town
the impossibility of being human
Burroughs killing his wife with a gun
Mailer stabbing his
the impossibility of being human
Maupassant going mad in a rowboat
Dostoyevsky lined up against a wall to be shot
Crane off the back of a boat into the propeller
the impossibility
Sylvia with her head in the oven like a baked potato
Harry Crosby leaping into that Black Sun
Lorca murdered in the road by Spanish troops
the impossibility
Artaud sitting on a madhouse bench
Chatterton drinking rat poison
Shakespeare a plagarist
Beethoven with a horn stuck into his head against deafness
the impossibility the impossibility
Nietzsche gone totally mad
the impossibility of being human
all too human
this breathing
in and out
out and in
these punks
these cowards
these champions
these mad dogs of glory
moving this little bit of light toward us
impossibly.
Charles Bukowki, Beasts Bounding Through Time
Palavras-chave: Antes de Adormecer
4 de julho de 2007
Chtoucas de Drinfeld et correspondance de Langlands
"Chtoucas de Drinfeld et correspondance de Langlands". Devo confessar que é um título delicioso. Com este agregado de palavrinhas, que o tartamudo se abstenha; "Chtoucas de Drinfeld et correspondance de Langlands" - repito -, pois é de lamber os beiços e chorar por mais (como naquele anúncio do "Boca-Doce", recordas-te, amor meu?).
"Chtoucas de Drinfeld et correspondance de Langlands"...
(não irei ter a devida oportunidade de explicar de que raio afinal se trata essa coisa do Drinfeld e a sua correspondência com o Langlands, porque já te indignaste o suficiente com o facto de haver Matemática a mais neste blogue, mas quem quiser consultar o artigo faça o favor de clicar aqui)
Palavras-chave: Matemática
3 de julho de 2007
"I see your radiant kiss my lover"
Reflected in the eye of the dragonfly on the lunar pool
And we will sail away on oceans
And a haze of carillons and juniper spines from the great valley of humming gongs
On ships, that sail away forever
Unexplained light reflected from the spine of a metallic viper
I see your radiant kiss my lover
Strange rooms engulfed by an halo of alien architecture
Like sun across my eyes forever
And the dark gargoyle of dragonflies encased in sulfur
You will see me standing there my lover
Through a silent walk of flowered night shadows
Like trees against the sky forever
Then, an unexplained kiss from a lethal angel
And we will sail away on oceans
Reflected in the eye of the dragonfly on the lunar pool
On ships, that sail away forever
Harold Budd
Imagem: Dragonfly, Alberto Vargas
2 de julho de 2007
Antes de Adormecer VIII
(...)
É aqui que deves devolver-me o teu costumeiro e ensonado "Parece-me bem, amor meu".
Palavras-chave: Antes de Adormecer
29 de junho de 2007
Antes de Adormecer VII
Sem ti tudo é baço. Haja, contudo, sonhos a imitar a felicidade.
Palavras-chave: Antes de Adormecer
26 de junho de 2007
Joyce pelas seis da manhã

Não tenho a certeza que ele tenha escrito isto: "Há uma maior diferença entre um ser humano que sabe mecânica quântica e outro que não sabe, do que entre um ser humano que não sabe e os grandes símios". Mas conhecendo-o bem, diria que não é de todo improvável.
E a pergunta do dia, anjo meu, é a seguinte: "O que é que o Murray Gell-Mann tem a ver com o James Joyce?"
Na imagem, duas páginas fac-similadas do caderno de notas do Finnegans Wake. Podem ser adquiridas aqui.
Antes de Adormecer VI
Palavras-chave: Antes de Adormecer
25 de junho de 2007
Roía maçãs Engolia a retórica

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Até que alguém opinou que era bem melhor roer a retórica e engolir maçãs. E assim o fiz com denodada convicção gravitacional.
Antes de Adormecer V
Creio ser de Khlebnikov a seguinte afirmação: "Quando as pessoas morrem, cantam-se canções."
É este punhado de palavras tudo o que guardo comigo no coração para que, talvez um dia, também eu te possa compor uma canção. A mais triste e mais bela do mundo. Como o Azul que habita nos teus olhos quando a noite em mim se impõe, magistral e líquida, e a única coisa possível a fazer é tombar nessa leveza feliz e ciciar-te apenas isto: "quero-tanto, amor meu".
Palavras-chave: Antes de Adormecer















