Assimetria
Enumero: mamilo esquerdo e elipses descontraídas que não são círculos. Concluo nunca ter compreendido esta quebra de simetria quando enceto a manobra de aproximação ao teu corpo.
A que cor sabe o Azul quando ingerido pelos pássaros? Curtíssimas histórias brumosas e de uma duplicidade assumida de um aprendiz de Šahrzād dos tempos modernos que nunca quis entender o que era a astúcia cavilosa dos dias.
Bem sei que não aprecias Bukowski. Eu também sempre irei sustentar a afirmação em como não partilho desse teu febril entusiasmo com os impressionistas. Eu gosto da desmesura. Ah, a impossibilidade de se ser demasiadamente humano, meu Azul Neblina!
Van Gogh writing his brother for paints
Hemingway testing his shotgun
Celine going broke as a doctor of medicine
the impossibility of being human
Villon expelled from Paris for being a thief
Faulkner drunk in the gutters of his town
the impossibility of being human
Burroughs killing his wife with a gun
Mailer stabbing his
the impossibility of being human
Maupassant going mad in a rowboat
Dostoyevsky lined up against a wall to be shot
Crane off the back of a boat into the propeller
the impossibility
Sylvia with her head in the oven like a baked potato
Harry Crosby leaping into that Black Sun
Lorca murdered in the road by Spanish troops
the impossibility
Artaud sitting on a madhouse bench
Chatterton drinking rat poison
Shakespeare a plagarist
Beethoven with a horn stuck into his head against deafness
the impossibility the impossibility
Nietzsche gone totally mad
the impossibility of being human
all too human
this breathing
in and out
out and in
these punks
these cowards
these champions
these mad dogs of glory
moving this little bit of light toward us
impossibly.
Palavras-chave: Antes de Adormecer
Palavras-chave: Matemática
Reflected in the eye of the dragonfly on the lunar pool
And we will sail away on oceans
And a haze of carillons and juniper spines from the great valley of humming gongs
On ships, that sail away forever
Unexplained light reflected from the spine of a metallic viper
I see your radiant kiss my lover
Strange rooms engulfed by an halo of alien architecture
Like sun across my eyes forever
And the dark gargoyle of dragonflies encased in sulfur
You will see me standing there my lover
Through a silent walk of flowered night shadows
Like trees against the sky forever
Then, an unexplained kiss from a lethal angel
And we will sail away on oceans
Reflected in the eye of the dragonfly on the lunar pool
On ships, that sail away forever
Palavras-chave: Antes de Adormecer
Palavras-chave: Antes de Adormecer

Palavras-chave: Antes de Adormecer

Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica
Até que alguém opinou que era bem melhor roer a retórica e engolir maçãs. E assim o fiz com denodada convicção gravitacional.
Palavras-chave: Antes de Adormecer
Palavras-chave: Azul

Alexandre: "Vou deixar crescer um bigode à Paul Adrien Maurice Dirac ou à Andrei Tarkovsky. Que tal?
Ela/Tu: "Céus! Que disparate, amor meu!"
Palavras-chave: Antes de Adormecer
Palavras-chave: Antes de Adormecer

Ela/Tu: "Qual é o teu número favorito, amor?"
Alexandre: "Tu és o meu número favorito, mas antes que um sorriso aflore aos teus lábios, dir-te-ei que hoje será aquele do Táxi, o do Ramanujan."
I remember once going to see him when he was lying ill at Putney. I had ridden in taxi-cab No. 1729, and remarked that the number seemed to be rather a dull one, and that I hoped it was not an unfavourable omen. "No", he replied, "it is a very interesting number; it is the smallest number expressible as the sum of two [positive] cubes in two different ways.
Hardy, sobre Ramanujan (a citação pode encontrar-se neste genial livro: Hofstadter, D. R. Gödel, Escher, Bach: An Eternal Golden Braid New York: Vintage Books, p. 564, 1989)
Palavras-chave: Azul, Matemática

Quando estou com os copos gosto mesmo de lemniscatas. Quando estou sóbrio beijo as pontas dos teus dedos e digo que gosto apenas de ti. E de sólidos de Dürer.
Imagem: Melencolia I, Albrecht Dürer.
Palavras-chave: Matemática

Palavras-chave: Lições de Astrofísica
Palavras-chave: Lições de Astrofísica
Amor:
“Siempre quise a Paulina”. É assim que Bioy Casares começa o seu En Memoria de Paulina. É o meu mote para te falar sobre a memória. De como estamos sempre a reconstruir a memória, num processo atroz e terrificamente doloroso. E se adjectivo desta forma empastelada é porque é assim que eu concebo a memória. Em amálgamas e amálgamas de factos.
Um homem pode ser perfeitamente infeliz com qualquer mulher. Sobretudo se a amar.
(ou pode ser um perfeito idiota)
Defende que "a palavra amor é incendiária" e diz que toda a sua vida foi um disparate. Então, o amor será disparate?
Quase sempre e talvez mais o amor que escolhi. A minha vida foi uma aventura estranha mas bonita. No campo do amor, não tenho coisas muito feias para me entristecerem; sinto, porém, que hoje me faz falta ter alguém ao meu lado. De repente, um tipo verifica isto: uma vida inteira de amores, e de amores muito bonitos, mas que passam...
– Albertina! Eu quero um verso que não há!...
(onde? in "No reino da Dinamarca", minha pobre Ofélia)
(quando? milenovecentosecinquentaeoitosenãoestouemerro)
Gosto de simetrias. Sobretudo se estas forem imperfeitas. E anuncio-te que me apraz a ideia de quebras espontâneas de simetria. E porquê? Se instado a explicar diria simplesmente que é porque gosto de ti.

Palavras-chave: Literatura
Bem sei que é uma combinação estranha: acordo para ler a demonstração do Teorema de Lindberg-Lévy, ouvir Jeff Buckley (soluço as palavras infinita tristeza) e depois remato com este poema do Al Berto resgatado ao esquecimento daquele livrinho que por aqui vês entretecido entre os meus dedos.
"combinara o encontro no limite deste século
onde nenhum homem dorme no limiar do dia
e o sonho se desfaz sob a nocturna incerteza
um raspar de veia reacende lumes
ilumina o turvo sangue os caminhos e a casa
onde pararam todos os relógios
quanto tempo para erguer a cabeça?
quem nos exterminará? no fim deste século
acordarão homens no outro lado da manhã?
que vestígios permanecerão desta reclusão?
e a morte existirá ainda
para além do ínfimo estremecer deste corpo?
é no silêncio
que melhor ludribio a morte
não
já não me prendo a nada
mantenho-me suspenso neste fim de século
reaprendo os dias para a eternidade
porque onde termina o corpo deve começar
outra coisa outro corpo
ouço o rumor do vento
vai
alma vai
até onde quiseres ir"
São seis e muito da manhã e não consigo dormir. Porque toda a noite apeteceu-me ler-te um poema de René Char e adormeceres assim, como uma criança, a minha criança em fragilidade adiada. E no meu colo repetir-te tantas vezes "Les mots sauvent de nous ce que nous ignorons d'eux". Les mots. As palavras, amor. As palavras.
(nada receies: é apenas a música de Arvo Pärt que sibilia em mim o desejo de palavras-como-a-casa-da-tua-língua-como-os-meus-lábios-melanóstomos
como os dias que um dia amanheceram assim: num improvável Setembro Azul Neblina)
Palavras-chave: Antes de Adormecer
Ainda com farrapos de sonhos no meu cabelo recordo a célebre frase de Georg Cantor: "A essência da Matemática é a Liberdade". Acordei bem disposto, portanto.
Palavras-chave: Ao Despertar
Palavras-chave: Antes de Adormecer
Hoje acordei a imaginar a improbabilidade da tessitura dos teus dedos no meu rosto a resgatar-me ao de leve levezinho do enfarruscado dos meus sonhos e a convocar-me para fazermos amor. Prontamente saí da cama, gesto lépido, salto acrobático, abluções matinais, pequeno-almoço robusto, café negríssimo curto galopante e meio-cachimbo a alimentar-se de Black Cavendish. Depois prestei-me a cumprir o meu dever cívico praticando a minha boa acção do dia:
É a acção de Einstein-Hilbert em que o Lagrangiano inclui um termo de matéria e uma constante cosmológica. Gosto desta acção. Assim mesmo, límpida, sem o termo de fronteira de Gibbons-Hawking-York, porque assim como assim a variedade do meu espaço-tempo não tem fronteira. Mas acredita que gosto mais de ti. E não creio que acção alguma o possa demonstrar.

Tu estás em mim como uma estrela no seu berçário.
Como a palavra imorredoira que é Orfeu e ascende à garganta provindo das entranhas resgatando Eurídice e um porco-espinho.
Como uma ânsia veloz que soluça e aspira a ser azul neblina.
Como azul cerúleo, rente ao coração: teus
cinco dedos rente rente rente rente rente ao coração.
Palavras-chave: Lições de Astrofísica
"She walks in beauty, like the night" (Byron)
És tu quem caminha assim. Beijo-te como a luz do Sol adora beijar a tua pele, pois és um corpúsculo de poeira vagueando no meio interestelar e animado de um movimento bruxuleante que não estranha a frieza glaciar do cosmos. E, ao amanhecer, sou eu que entardeço de cansaço e finalmente sucumbo a beijar-te as pálpebras e a chamar-te de minha. Assimptoticamente minha.
Palavras-chave: Lições de Astrofísica

Saiu o novo número da "Ficções".
Quase quase quase que aposto que vale a pena comprar apenas pelo conto do Prévert (Recordações de família ou o anjo da guarda prisional). Mas ainda há Saul Bellow, Beckett e Philip K. Dick. Dir-te-ia: "Parece-te bem que compre?". Tu: "Parece-me lindamente!". E eu pensaria como gosto dos teus pontos de exclamação em movimento browniano no meu corpo, e como os meus olhos rebrilham como os de um miúdo quando as tuas mãos conjuram entrelaçamentos com as minhas.
(vês, amor, que não preciso de muito para ser feliz?)
Sai a 17 de Maio. As outras Ficções, bem entendido.
Palavras-chave: Literatura
Passeando na calçada:
Alexandre (pigarreando por forma a aclarar a voz): "Sim, eu acredito numa realidade microscópica independente do observador, quer este seja consciente ou uma mera drosophila melanogaster, vulgo moscardo da fruta.
Ou
Só são reais os nossos actos de observação e nada mais."
Ela/Tu: "Em que ficamos então, anjo meu?"
Alexandre: "Não sei. Mas apetece-me ouvir o Vôo do moscardo do Rimsky-Korsakov e zumbir, zumbir, zumbir ao mundo como te adoro."
Ela/Tu (voz bem-disposta, quase alacre): "Mas, amor, aquilo não é um moscardo, é uma abelha!"
E ris. Amplamente.
(e ao rires-te assim é como se uma lágrima despertasse em mim a sensação de epifania | júbilo | sou Iuri Alieksieievitch Gagarin a repetir júbilo e tu és a minha Valentina Oryacheva e contigo não temo ser ridículo)
Alexandre: "Ora, ora, não faz mal, pois hoje mesmo acordei na pele de Gregor Samsa, despertando de sonhos inquietos a puxar-me para a entomologia."