2 de julho de 2007
Antes de Adormecer VIII
(...)
É aqui que deves devolver-me o teu costumeiro e ensonado "Parece-me bem, amor meu".
Palavras-chave: Antes de Adormecer
29 de junho de 2007
Antes de Adormecer VII
Sem ti tudo é baço. Haja, contudo, sonhos a imitar a felicidade.
Palavras-chave: Antes de Adormecer
26 de junho de 2007
Joyce pelas seis da manhã

Não tenho a certeza que ele tenha escrito isto: "Há uma maior diferença entre um ser humano que sabe mecânica quântica e outro que não sabe, do que entre um ser humano que não sabe e os grandes símios". Mas conhecendo-o bem, diria que não é de todo improvável.
E a pergunta do dia, anjo meu, é a seguinte: "O que é que o Murray Gell-Mann tem a ver com o James Joyce?"
Na imagem, duas páginas fac-similadas do caderno de notas do Finnegans Wake. Podem ser adquiridas aqui.
Antes de Adormecer VI
Palavras-chave: Antes de Adormecer
25 de junho de 2007
Roía maçãs Engolia a retórica

Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica Roía maçãs Engolia a retórica
Até que alguém opinou que era bem melhor roer a retórica e engolir maçãs. E assim o fiz com denodada convicção gravitacional.
Antes de Adormecer V
Creio ser de Khlebnikov a seguinte afirmação: "Quando as pessoas morrem, cantam-se canções."
É este punhado de palavras tudo o que guardo comigo no coração para que, talvez um dia, também eu te possa compor uma canção. A mais triste e mais bela do mundo. Como o Azul que habita nos teus olhos quando a noite em mim se impõe, magistral e líquida, e a única coisa possível a fazer é tombar nessa leveza feliz e ciciar-te apenas isto: "quero-tanto, amor meu".
Palavras-chave: Antes de Adormecer
24 de junho de 2007
É mais ou menos assim que começa a noite
Agarrar no carro e ir ter contigo, beijar-te ao de leve a nuca, despir-te lentamente, beliscar-te os mamilos como se fossem campânulas floridas, sentar-te ao meu colo, fazer-te festinhas no teu cabelo trigado pelas estrelas e escová-lo. Tu irias roçar-te no meu sexo duro e quando os meus dedos entrassem em ti iriam ficar todos molhados. Levá-los-ia à tua boca em jeito de convite. E depois, sabes o que faria?
20 de junho de 2007
Azul glaciar (definição)
Ou como no filme do Fassbinder: "Liebe ist kälter als der tod" (o Amor é mais frio do que a morte).
[do dicionário de Azul por escrever]
Palavras-chave: Azul
15 de junho de 2007
(Ainda) Antes de adormecer (algumas ideias a roçar a maluquice) IV

Alexandre: "Vou deixar crescer um bigode à Paul Adrien Maurice Dirac ou à Andrei Tarkovsky. Que tal?
Ela/Tu: "Céus! Que disparate, amor meu!"
(E ris-te amplamente. Que outra coisa haverias de fazer?)
Sim, adivinharam: É o Dirac do electrão relativista, o Tarkovsky (Андре́й Арсе́ньевич Тарко́вский) do "Prófiéssór, Prófiéssór!" do Stalker e o Kurchatov... bem, o Kurchatov (И́горь Васи́льевич Курча́тов) da barba - ah, e das bombas soviéticas de implosão de plutónio e de hidrogénio.
Palavras-chave: Antes de Adormecer
14 de junho de 2007
Antes de adormecer III
Talvez ainda possa ser feliz, mesmo sem ti. Assim como vês, com os prelúdios do Rachmaninov, uma garrafa de vodka e com os olhos a demorarem-se num quadro do Kandinsky que a parede ainda teima em aguentar no seu sítio prometido. Não, não são lágrimas que perlam o meu rosto. É o álcool que dita tudo. E os dedos do Vladimir Ashkenazy.
Palavras-chave: Antes de Adormecer
11 de junho de 2007
Azul III (o número favorito)

Ela/Tu: "Qual é o teu número favorito, amor?"
Alexandre: "Tu és o meu número favorito, mas antes que um sorriso aflore aos teus lábios, dir-te-ei que hoje será aquele do Táxi, o do Ramanujan."
Alexandre: "Precisamente. Lê isto. Não há de todo números aborrecidos, apenas pessoas entediantes."
I remember once going to see him when he was lying ill at Putney. I had ridden in taxi-cab No. 1729, and remarked that the number seemed to be rather a dull one, and that I hoped it was not an unfavourable omen. "No", he replied, "it is a very interesting number; it is the smallest number expressible as the sum of two [positive] cubes in two different ways.
Hardy, sobre Ramanujan (a citação pode encontrar-se neste genial livro: Hofstadter, D. R. Gödel, Escher, Bach: An Eternal Golden Braid New York: Vintage Books, p. 564, 1989)
Em matemática o número táxi de ordem n define-se como o número mais pequeno que pode ser expresso sob a forma de uma soma de dois cubos positivos, de n maneiras distintas. Apenas cinco números táxi são conhecidos: 2 (o caso trivial), 1729, 87539319, 6963472309248 e 48988659276962496. Assim, o número de Hardy-Ramanujan pode ser escrito da seguinte forma:
1729= 13 + 123= 93 + 103
Alexandre: "E qual é o teu número favorito, tu que adoras o Azul e eu a tessitura dos teus dedos quando alinham conspirações na minha pele?"
Ela/Tu: "..."
Na imagem: fotogramas da série Futurama. A imagem é proveniente do Mathworld.
Palavras-chave: Azul, Matemática
O enigma das lemniscatas

Quando estou com os copos gosto mesmo de lemniscatas. Quando estou sóbrio beijo as pontas dos teus dedos e digo que gosto apenas de ti. E de sólidos de Dürer.
Imagem: Melencolia I, Albrecht Dürer.
Palavras-chave: Matemática
O que fazes, anjo?
Ela: "Estou a rodar no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio. Cada revolução rouba o momento angular do planeta, atrasando a sua taxa de rotação um pouquinho, tornando a noite mais longa, atrasando a alvorada, e dando-me um pouco mais de tempo aqui. CONTIGO."
Para quem estiver interessado, o princípio físico aqui representado é o da conservação do momento angular e se andasses a patinar no gelo saberias bem ao que me referia. Eu acrescento que é uma delícia este sítio que reúne as tiras do colega Randall Munroe. Como ele tem a oportunidade de explicar na sua página aos transeuntes que se atrevem a aventurar: "Warning: this comic occasionally contains strong language (which may be unsuitable for children), unusual humor (which may be unsuitable for adults), and advanced mathematics (which may be unsuitable for liberal-arts majors)." E desta feita não são necessárias traduções, pois não?
10 de junho de 2007
Lições de Astrofísica IV ou Óptica I

A criança pergunta o que é o cristalino dos olhos. A mim, apetece afirmar que este é apenas uma lente convergente cuja única tarefa se resume a focar a luz para o interior do olho e, de forma doutamente distraída, discorrer um pouco sobre a disciplina da Óptica. Preparo-me para confabular sobre o sistema óptico córnea-cristalino mas limito-me a apertar-lhe ainda mais a sua mão franzina e, antes de estugarmos um pouco o passo, acerco-me dele e em jeito de confidência atiro-lhe que o cristalino é assim como a imaginação, os sonhos ou os livros que gostamos de desarrumar em casa: permite-nos ver ao longe e ao perto.
A criança pergunta se o Universo é infinito. E Alexandre responde-lhe que isso por ora não interessa, porque há coisas mais bonitas que se escondem na finitude da palma da mão e que a questão da dimensão do Universo é algo que não é para um passeio destes sob uma álea de árvores bem floridas, bem abertas, bem despertas. É Primavera e parece-me que há jacarandás, cerejeiras e pessegueiros em flor. E a criança sorri. Sorri. Com a lucidez do teu sorriso e com os teus olhos Azul Neblina. Mas com o meu apetite pela Natureza.
Palavras-chave: Lições de Astrofísica
9 de junho de 2007
Lições de Astrofísica III
Palavras-chave: Lições de Astrofísica
8 de junho de 2007
Incipit de uma carta nunca enviada
Amor:
“Siempre quise a Paulina”. É assim que Bioy Casares começa o seu En Memoria de Paulina. É o meu mote para te falar sobre a memória. De como estamos sempre a reconstruir a memória, num processo atroz e terrificamente doloroso. E se adjectivo desta forma empastelada é porque é assim que eu concebo a memória. Em amálgamas e amálgamas de factos.
(Escusado será dizer que a carta nunca foi terminada. Não a irias ler, pois não, amor meu?)
5 de junho de 2007
MacBeth
Oscar Wilde por processo quasi-estocástico
Um homem pode ser perfeitamente infeliz com qualquer mulher. Sobretudo se a amar.
(ou pode ser um perfeito idiota)
Sobre a contingência da palavra "amor"
Defende que "a palavra amor é incendiária" e diz que toda a sua vida foi um disparate. Então, o amor será disparate?
Quase sempre e talvez mais o amor que escolhi. A minha vida foi uma aventura estranha mas bonita. No campo do amor, não tenho coisas muito feias para me entristecerem; sinto, porém, que hoje me faz falta ter alguém ao meu lado. De repente, um tipo verifica isto: uma vida inteira de amores, e de amores muito bonitos, mas que passam...
Entrevista a Artur do Cruzeiro Seixas por Maria Augusta Silva in Apeadeiro, número duplo 4/5
2 de junho de 2007
Ett Brev
A propos de O'Neill
– Albertina! Eu quero um verso que não há!...
(onde? in "No reino da Dinamarca", minha pobre Ofélia)
(quando? milenovecentosecinquentaeoitosenãoestouemerro)
1 de junho de 2007
Brisure spontanée de symétrie
Gosto de simetrias. Sobretudo se estas forem imperfeitas. E anuncio-te que me apraz a ideia de quebras espontâneas de simetria. E porquê? Se instado a explicar diria simplesmente que é porque gosto de ti.
31 de maio de 2007
Ando a namoriscar

Bem sei que me dirias que eu não tenho o hábito de ler Pirandello. Ou talvez te remetesses a um silêncio de madrepérola quando, no café, repousarias os dedos sobre a minha coxa e com palavras e gestos especiosos me convencerias que o melhor era mesmo deixar de lado o Pirandello e a caixinha de cigarrilhas e fazer amor contigo.
Para quem não queira adiar a leitura, a edição é da Cavalo de Ferro (sim, sabes bem que eu gosto muito desta editora) com tradução de Margarida Pequito. Ora lê aqui.
Palavras-chave: Literatura
26 de maio de 2007
25 de maio de 2007
A rose is a rose is a rose
23 de maio de 2007
Onde termina o corpo
Bem sei que é uma combinação estranha: acordo para ler a demonstração do Teorema de Lindberg-Lévy, ouvir Jeff Buckley (soluço as palavras infinita tristeza) e depois remato com este poema do Al Berto resgatado ao esquecimento daquele livrinho que por aqui vês entretecido entre os meus dedos.
"combinara o encontro no limite deste século
onde nenhum homem dorme no limiar do dia
e o sonho se desfaz sob a nocturna incerteza
um raspar de veia reacende lumes
ilumina o turvo sangue os caminhos e a casa
onde pararam todos os relógios
quanto tempo para erguer a cabeça?
quem nos exterminará? no fim deste século
acordarão homens no outro lado da manhã?
que vestígios permanecerão desta reclusão?
e a morte existirá ainda
para além do ínfimo estremecer deste corpo?
é no silêncio
que melhor ludribio a morte
não
já não me prendo a nada
mantenho-me suspenso neste fim de século
reaprendo os dias para a eternidade
porque onde termina o corpo deve começar
outra coisa outro corpo
ouço o rumor do vento
vai
alma vai
até onde quiseres ir"
(Al Berto, in Poesia do Mundo 2)
(Alexandre: "Gosto de ti com toda a improbabilidade do mundo")
20 de maio de 2007
Antes de adormecer II
São seis e muito da manhã e não consigo dormir. Porque toda a noite apeteceu-me ler-te um poema de René Char e adormeceres assim, como uma criança, a minha criança em fragilidade adiada. E no meu colo repetir-te tantas vezes "Les mots sauvent de nous ce que nous ignorons d'eux". Les mots. As palavras, amor. As palavras.
(nada receies: é apenas a música de Arvo Pärt que sibilia em mim o desejo de palavras-como-a-casa-da-tua-língua-como-os-meus-lábios-melanóstomos
como os dias que um dia amanheceram assim: num improvável Setembro Azul Neblina)
Palavras-chave: Antes de Adormecer
18 de maio de 2007
Ao despertar I
Ainda com farrapos de sonhos no meu cabelo recordo a célebre frase de Georg Cantor: "A essência da Matemática é a Liberdade". Acordei bem disposto, portanto.
Palavras-chave: Ao Despertar
Antes de adormecer I
Na foto: Desdémona, satélite de Urano, descoberto pela sonda Voyager 2 em 1986. Tem cerca de 64 quilómetros de diâmetro. A estrutura dos anéis do planeta Azul (sim, essoutro Azul) é bem visível na foto.
Palavras-chave: Antes de Adormecer
17 de maio de 2007
Bom samaritano
Hoje acordei a imaginar a improbabilidade da tessitura dos teus dedos no meu rosto a resgatar-me ao de leve levezinho do enfarruscado dos meus sonhos e a convocar-me para fazermos amor. Prontamente saí da cama, gesto lépido, salto acrobático, abluções matinais, pequeno-almoço robusto, café negríssimo curto galopante e meio-cachimbo a alimentar-se de Black Cavendish. Depois prestei-me a cumprir o meu dever cívico praticando a minha boa acção do dia:
É a acção de Einstein-Hilbert em que o Lagrangiano inclui um termo de matéria e uma constante cosmológica. Gosto desta acção. Assim mesmo, límpida, sem o termo de fronteira de Gibbons-Hawking-York, porque assim como assim a variedade do meu espaço-tempo não tem fronteira. Mas acredita que gosto mais de ti. E não creio que acção alguma o possa demonstrar.
Lições de Astrofísica II

Tu estás em mim como uma estrela no seu berçário.
Como a palavra imorredoira que é Orfeu e ascende à garganta provindo das entranhas resgatando Eurídice e um porco-espinho.
Como uma ânsia veloz que soluça e aspira a ser azul neblina.
Como azul cerúleo, rente ao coração: teus
cinco dedos rente rente rente rente rente ao coração.
Palavras-chave: Lições de Astrofísica
Lições de Astrofísica I
"She walks in beauty, like the night" (Byron)
És tu quem caminha assim. Beijo-te como a luz do Sol adora beijar a tua pele, pois és um corpúsculo de poeira vagueando no meio interestelar e animado de um movimento bruxuleante que não estranha a frieza glaciar do cosmos. E, ao amanhecer, sou eu que entardeço de cansaço e finalmente sucumbo a beijar-te as pálpebras e a chamar-te de minha. Assimptoticamente minha.
Palavras-chave: Lições de Astrofísica
Porque também eu morro a cada dia que passa sem a planura dos teus dedos no meu epitélio
(Jorge Luis Borges, em palestra proferida na Universidade de Belgrano a 23 de Junho de 1978 in "Borges Oral", Alianza Editorial)
E ainda duvidas que Borges é o meu escritor quintessencial?
Créditos fotográficos: Pedro Meyer
15 de maio de 2007
Ficções 15

Saiu o novo número da "Ficções".
Quase quase quase que aposto que vale a pena comprar apenas pelo conto do Prévert (Recordações de família ou o anjo da guarda prisional). Mas ainda há Saul Bellow, Beckett e Philip K. Dick. Dir-te-ia: "Parece-te bem que compre?". Tu: "Parece-me lindamente!". E eu pensaria como gosto dos teus pontos de exclamação em movimento browniano no meu corpo, e como os meus olhos rebrilham como os de um miúdo quando as tuas mãos conjuram entrelaçamentos com as minhas.
(vês, amor, que não preciso de muito para ser feliz?)
Sai a 17 de Maio. As outras Ficções, bem entendido.
Palavras-chave: Literatura
Tem dias que não sei se acredito na existência de uma realidade objectiva
Passeando na calçada:
Alexandre (pigarreando por forma a aclarar a voz): "Sim, eu acredito numa realidade microscópica independente do observador, quer este seja consciente ou uma mera drosophila melanogaster, vulgo moscardo da fruta.
Ou
Só são reais os nossos actos de observação e nada mais."
Ela/Tu: "Em que ficamos então, anjo meu?"
Alexandre: "Não sei. Mas apetece-me ouvir o Vôo do moscardo do Rimsky-Korsakov e zumbir, zumbir, zumbir ao mundo como te adoro."
Ela/Tu (voz bem-disposta, quase alacre): "Mas, amor, aquilo não é um moscardo, é uma abelha!"
E ris. Amplamente.
(e ao rires-te assim é como se uma lágrima despertasse em mim a sensação de epifania | júbilo | sou Iuri Alieksieievitch Gagarin a repetir júbilo e tu és a minha Valentina Oryacheva e contigo não temo ser ridículo)
Alexandre: "Ora, ora, não faz mal, pois hoje mesmo acordei na pele de Gregor Samsa, despertando de sonhos inquietos a puxar-me para a entomologia."
("A Terra é azul", Gagarin, 12 de Abril de 1961)
14 de maio de 2007
Dá-me um começo
"Dá-me um começo", disse-lhe, "depois da noite transfigurada"
?missa em si
?si-belius ou o grande lobo da finlândia
?m-is-e-en-scène duma chávena partida
?mis-si-ssipi ou o grande engolidor de chamas
"esquece", disse-lhe, "dá-me antes um final"
?mi
?miss T. eriously.
?miss U.
"esquece", disse-lhe, "um ponto final fica just fine".
12 de maio de 2007
11 de maio de 2007
10 de maio de 2007
Feliz Aniversário, F.
Hoje é dia 10 de Maio e o que foi combinado é que terias uma palavra como prenda de aniversário. Ei-la:














