3 de fevereiro de 2014



Nobilíssimas formulações do Paradoxo de Russell e Chungking Express

Por vezes sonho com um azul tão sanguíneo como o das toranjas mais sumarentas. Sonho com um vermelho cerúleo e com aquelas canções japonesas que nos enternecem até à medula. Há um vermelho tão ácido neste céu e nesta linfa. Um vermelho absurdamente sem sabor nem coloração. Há um pigmento no meu coração. Há novelos de cinza enovelando-se no cinzeiro baço. Há dendrites e outras ramificações arbóreas. Há um rol que se inclui a si próprio. Hoje o kitsch é este vermelho de algumas centenas de nanómetros. Hoje sou o homem das latas de ananás, quase quase fora de prazo. Paradoxo de Russell e Chungking Express, claro está.