25 de agosto de 2008

Atómstöðin III

Por vezes confronto-me nessa vastidão álgida com o limiar da minha dor, como se esta ganhasse uma existência tangível e eu próprio sentisse que a luz se difractasse na presença de algo desconhecido, interessada apenas pelo espaço intersticial que a mágoa completa e não pela matéria de que sou feito. Sou assim um ser invisível para o qual a luz atravessa imperturbável, zombeteira e, apenas empenhada com uma rede de ausências tecidas numa topologia intrincada, ainda lhe consigo escutar um riso escarninho enquanto se difracta exibindo apenas uma débil sombra de um homem que finalmente se apressa a colocar uma pedra sobre a língua.