14 de julho de 2008

A propósito das madeixas que teimam em crescer em nuvens em agregados de matéria I


A propósito das madeixas que teimam em crescer em nuvens em agregados de matéria.

Não me recordo bem da amplitude dos gestos (os dedos enregelados bem fundo nos bolsos, um fundilho talvez roto ou com cotão) um cigarro preso nos lábios sem ter coragem de o acender. O espaço repartido por mais três ou quatro pessoas. Aquele espaço. Eu convidava a loucura que preenchia os interstícios do fibrado do espaço-tempo (ah! só um louco poderia afirmar isto) a transpor uma barreira quase invisível, uma cortina de água tépida, um convite ao entorpecimento. Chorava. Por mim. Pelas estrelas imóveis irremediavelmente pregadas a um céu demasiadamente azul. Pelas palavras que nunca cheguei a dizer. Chorava porque os meus lábios privados de sal, de afecto, de cor, insurgiam-se finalmente.

Não, não era o desejo do abismo que havia em mim. Os abismos não nos procuram, nem nós os queremos encontrar.