13 de julho de 2008

Caixa de ressonância II


Encontrava essa rapariga que acentuava os advérbios em muitos sonhos, em muitas bibliotecas e, por vezes, até no supermercado: ela escolhia algumas ervas aromáticas (e eu só podia supor que era para o chá) e eu ficava ali escondido, manso e intrigado em doses cuidadosamente proporcionais segundo a razão de ouro dos arquitectos gregos, uma espécie de gato negro prestes a usar todo o conhecimento das leis da natureza na sua impulsão pelas quatro patas e a cauda a gesticular como a batuta invisível de um maestro conduzindo o holandês do Der fliegende Holländer. Um gato melómano que não trocaria Wagner e meia garrafa de Stolichnaya por todo o Paládio do mundo.