17 de abril de 2008

Por vezes floresce V



Começa assim: "Ou as coisas que se encontram perdidas no interior dos livros, tratando-se da maior parte de objectos insuspeitos: notas, bilhetes de metro (ou de outros meios de transporte), listas de afazeres, notículas variegadas, cartões telefónicos, cartas apaixonadas, cartas desapaixonadas, bilhetes de rendição, suspiros, bilhetes de exaustão, bilhetes de inanição, pequenos leptocéfalos esmagados por gestos mais bruscos, outros objectos impossíveis de serem identificados. E nódoas. Nódoas de café, cerveja, vinho tinto (as de vinho rosé e branco não entram neste rol), salpicos de gotículas de sangue, lágrimas que já não sabem a sal, nódoas de sémen a amarelecer as páginas, cascas espalmadas de amendoim (porque não?) a provar que a sua curvatura é hiperbólica (ou de Lobatchevsky que soa sempre bem), madeixas de cabelo louro (Silje, Viktoria, Anita...?) num livro cuja proveniência é impossível registar. E pétalas. A partir de hoje, quatro ou cinco pétalas alvas."