13 de março de 2008

Södermalm I


Saudades dos dias em Södermalm com todo o tempo do mundo a espreitar a lonjura dos dias. E por vezes fazia Sol e despontava em mim um sorriso brando, bravio, um sorriso conspirativo que a pátina do tempo jamais iria fazer desaparecer, pois estavas ao meu lado e tinhas toda a ternura celeste para mim, essa candura de astro que só mais tarde iria subir legível à minha boca com palavras rebentando como romãs maduras. Essa candura, esse afogueamento que nos surge sempre sob a forma inesperada de uma mulher, esse febril acicatar que nos tem o condão de revisitar quando tudo o que a nossa vista quer assomar são somente palavras e gestos condenados ao vazio – e de súbito há uma redenção, há uma explosão, adiantada apenas por breves prenúncios como o eléctrico crepitar do ar à nossa volta e um curto ribombar que antecede o eflúvio de emoções e é então que tudo despoleta. Tudo.