23 de janeiro de 2008


OK. Prometo. Amanhã irei falar de Anita Ekberg, Malcolm Lowry e da última vez em que estive com S. em Oslo. Irei reatar as pontas soltas. Parece que se diz assim. Irei reduzir a dimensão fragmentária do meu discurso e serei prolixo e lúcido (estranho binómio!) como nunca me viste. Que tal? Ler-me-ás amanhã, Azul Neblina? Irei também falar da ponte que une Malmö a Copenhaga e de gengibre. Muito gengibre. Não, algum gengibre. O suficiente. O olhar a conspirar doçura de V. e um livro sobre o tempo. Anjos em estrutura de filigrana. Aguardente de rosas, whisky, vodka barato em Lund, as escadarias por onde o maluco do Strindberg calcorreava a cavalo no seu corcel, a casa do mesmo onde se dedicava a maquinações alquimistas e onde se julgava acossado pelo mundo, o jardim botânico e a estrutura sensual das folhas. Outras perplexidades. Algumas coisas mundanas. Talvez vá ser aborrecido. Talvez nem seja amanhã porque agora ando entretido a reler Vergílio Ferreira ("Para sempre"), a ter-te nos meus braços, a ler Vila-Matas e a regressar à limpidez do meu Russell... E já te disse hoje que gosto mais de ti que Russell, Whitehead e Hilbert todos juntos? É que gosto mesmo, meu sinal marca de estrela.