22 de julho de 2007

Dodecaedro snub


Advertência ao incauto: ainda não me foi possível descobrir a ordem plausível do seguinte conjunto de (dez) frases. Há 3.628.800 (permutações de dez elementos, quécomoquemdiz dez factorial) possibilidades e não tenho tempo de verificá-las todas. As frases foram escritas pelo Alexandre em pequenos pedacinhos de papel. A brisa estival que soprava provinda de uma geografia longínqua e nefasta, pese embora cálida como um abraço fraterno, morna como um sorriso distraído, encarregou-se da Ars Combinatoria. Resta ao leitor perdoar-me a acrimónia e meter mãos à obra que já se faz tarde.



Quando estás nos meus braços e te enovelas como um bicho-de-contas, em frágil abandono te sei reencontrada em mim, e é aí que o teu corpo me pede para ciciar-te ao ouvido: "És o meu animal favorito e adoro foder-te".

Tu devolves-me: "oh, o mundo, para mim, é um dodecaedro snub".

Disse-o e repeti-o até que as palavras ficaram exangues e polidas como os seixos que a criança trazia depois dos seus passeios na praia.

Do outro lado do mundo há quem não o creia.

O mundo afinal não é esférico para alguns: é um romboedro de pontas aguçadas.

Eis a crueza das palavras a conjugar-se com a forma desajeitada como sucumbes aos meus avanços.

(contudo agora receio que a tua voz seja pálida e que nem mesmo um escrutínio mais atento conseguirá descobrir uma réstia de beleza)

Exige-se a fé nestes momentos.

E com isto ficámos conversados.

Sabes, é que eu disse estrela em vez de saibro.