15 de maio de 2007

Tem dias que não sei se acredito na existência de uma realidade objectiva

Passeando na calçada:

Alexandre (pigarreando por forma a aclarar a voz): "Sim, eu acredito numa realidade microscópica independente do observador, quer este seja consciente ou uma mera drosophila melanogaster, vulgo moscardo da fruta.

Ou

Só são reais os nossos actos de observação e nada mais."

Ela/Tu: "Em que ficamos então, anjo meu?"

Alexandre: "Não sei. Mas apetece-me ouvir o Vôo do moscardo do Rimsky-Korsakov e zumbir, zumbir, zumbir ao mundo como te adoro."

Ela/Tu (voz bem-disposta, quase alacre): "Mas, amor, aquilo não é um moscardo, é uma abelha!"

E ris. Amplamente.

(e ao rires-te assim é como se uma lágrima despertasse em mim a sensação de epifania | júbilo | sou Iuri Alieksieievitch Gagarin a repetir júbilo e tu és a minha Valentina Oryacheva e contigo não temo ser ridículo)

Alexandre: "Ora, ora, não faz mal, pois hoje mesmo acordei na pele de Gregor Samsa, despertando de sonhos inquietos a puxar-me para a entomologia."


("A Terra é azul", Gagarin, 12 de Abril de 1961)