6 de maio de 2007

A Máquina Underwood



"Todos os dias sentava-me na mesma cadeira de assento de marroquim azul já gasto, cabeça e costas abandonadas a uma pose despreocupada, reclinando-me ora para trás, ora para diante, ora para os lados porque me parece que há dois, em oscilações pendulares que fariam roer de inveja Galileu observando o isocronismo do pêndulo no movimento de um candelabro suspenso do tecto da Catedral de Pisa. Atentava a todos os teus movimentos, não descurando mesmo os mais indiciais, os tais que se confundem com as confidências que trocas com os átomos ou com os borbotos da camisa, os mesmos que valerão a pena ser recordados quando tudo o mais tiver tendência a ser esquecido. E por vezes nas tuas mãos de ternura (...)"

É assim que começa o conto que guardei para te oferecer numa manhã a seguir a termos feito amor. Mas a manhã já passou e não há modo de o conto terminar.